Como Diria Alan Watts: O Mundo Não Está Acordado — Está Hipnotizado
Existe uma tensão subtil quando alguém que despertou para uma compreensão mais profunda encontra alguém que ainda vive no “sono coletivo” — o conjunto de crenças, medos e ambições aceites sem questionar.
Quem desperta sente, muitas vezes, vontade de partilhar o que viu. Há compaixão. Há o desejo de aliviar o sofrimento do outro. Mas rapidamente surge a frustração: o despertar não pode ser entregue como informação.
Não é falta de inteligência.
É estrutura de percepção.
A pessoa que ainda dorme está inserida num sistema de crenças que torna a nova visão praticamente incompreensível. Explicar o despertar é como descrever cores a quem nunca viu. As palavras não chegam.
A solidão silenciosa
O desperto continua a trabalhar, pagar contas, cumprir responsabilidades. Externamente, nada muda. Internamente, tudo muda.
Participa do jogo — mas sabe que é um jogo.
Enquanto muitos vivem presos a status, comparação e validação, ele age com menos ansiedade e identificação. Isso pode gerar uma sensação de solidão: mesmos lugares, mesmas conversas, mas mundos interiores diferentes.
O desconforto do ego
Ao encontrar alguém desperto, quem ainda dorme pode sentir-se atraído pela paz que percebe — ou ameaçado por ela.
A presença de alguém que não vive em constante tensão questiona silenciosamente a lógica da corrida permanente. E o ego reage: ironiza, provoca, tenta puxar o outro para o drama.
Não é maldade. É defesa.
Há um ensinamento zen que diz:
Antes do despertar, cortar lenha, carregar água.
Depois do despertar, cortar lenha, carregar água.
A diferença não está na ação — mas na consciência.
E talvez a maior maturidade do desperto seja esta:
continuar desperto sem precisar que todos acordem ao mesmo tempo.
Silvia palma
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