Quando a Alma se Liberta
Perder, dizem os homens, é padecer. Porém, quando a alma se desprende dos véus mundanos e contempla os desígnios eternos, bem sabe que perder é, por vezes, ganhar em luz, em verdade e em alforria.
Não são todas as perdas obra do acaso, nem fruto de desventura. Muitos há, entre os homens sábios, que reconhecem nelas o sabor do karma — essa força invisível que rege os laços entre vidas, destinos e escolhas passadas. O karma não pune, mas ensina. É o escriba da memória espiritual, tecendo com linha invisível as histórias que hão de curar ou repetir.
Quando perdemos algo que nos era caro, cumpre lembrar que talvez a alma, em tempos imemoriais, haja consentido tal prova para sua elevação. E se assim é, perder não será maldição, mas alvorada de compreensão.
O verdadeiro sábio não se desespera ante o revés, antes o acolhe com semblante sereno, vendo no ocaso da posse o fulgor da liberdade. Saber perder é render-se à corrente da existência, é como soltar a vela ao vento sem receio do rumo, confiando que o mar há de conduzir o barco ao porto que lhe é devido.
Quem sabe perder, não se apega, não se desespera, não maldiz. Antes, como os antigos eremitas, recolhe-se no silêncio do seu templo interior, medita sobre os sinais, e abre os braços à transformação.
O Grande poder reside na entrega. Tal como o alquimista que transmuta chumbo em ouro, o espírito que se entrega à sabedoria da perda vê a dor converter-se em paz e o vazio transformar-se em ventre fértil de renascimento. Eis a magia maior: aquela que opera nos acessos invisíveis da alma, onde a luz não precisa olhos para brilhar.
Perder, em verdade, é desatar-se das amarras do efêmero. É reconhecer que nem tudo o que se possui é eterno, mas que tudo o que se aprende o é. Quem aprende a perder, aprende também a amar sem posse, a viver sem temor, e a morrer sem apego — tornando-se, por fim, alma livre, uma alma desperta.
Beijos mega no teu coração
Silvia palma
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